Saiba mais sobre Córsega
Mas, afinal, que lugar é esse?
Uma montanha em pleno mar! É assim que os Corsos a identificam e que o mundo a conhece!
A Córsega, também denominada a ilha da beleza, é uma pequena porção de terra localizada ao sul da França e a oeste da Itália. Dividida administrativamente em dois departamentos, Alta Córsega e Córsega do Sul, suas principais e maiores cidades são Bastia, ao norte da Ilha, e Ajaccio, ao Sul.
Com 8.800 Km² de extensão e uma população de aproximadamente 260 mil habitantes, a Córsega possui uma exuberante beleza natural decorrente da exótica mistura entre o mar e a montanha.
Pertencente à França desde 1768, a ilha onde nasceu Napoleão, em 1769, tem montanhas que superam 2.700m de altura, com picos que, muitas vezes, permanecem nevados durante todo o ano, mesmo no verão quando os termômetros chegam a registrar 40ºC.
Sua costa, com mil quilômetros de extensão, abriga praias paradisíacas banhadas por águas cristalinas de tom azul turquesa e uma imensa e verdejante paisagem de maquis (vegetação típica da região).
Seu interior é recortado por pequenas e sinuosas estradas que caminham entre florestas e rochedos, alcançando antigos e isolados vilarejos (muitas vezes localizados acima dos 1.000 metros de altitude) que guardam séculos de tradição e história.
Um jeito corso de ser
A geografia da Ilha diz muito sobre sua personalidade. O difícil acesso entre os diversos vilarejos e as sucessivas invasões ao longo da história (responsáveis pelo desenvolvimento dos vilarejos no interior da ilha e no alto das montanhas) fizeram da Córsega uma região repleta de “micro regiões”.
Cada povoado é singular, tem suas características, seus costumes, suas crenças e rivalidades. Os Corsos são únicos. Donos de uma personalidade rústica e indomável, são orgulhosos de sua história e apaixonados por sua “nação”.
Tudo isso faz da Córsega um local intrigante e ao mesmo tempo fascinante.
A história, a geografia, o movimento
A Córsega é mística, exótica, apaixonante. Habitada por um povo que viveu e sempre esteve disposto a morrer para defender sua terra, sua independência e liberdade, sua história é repleta de mistérios e folclore e marcada por inúmeros e longos conflitos.
Sua posição geográfica, no coração do mar mediterrâneo, foi durante séculos um ponto estratégico das rotas marítimas, o que despertou a cobiça de inúmeros povos da antiguidade. Fenícios, Gregos, Romanos, Mouros, foram séculos de invasões, disputas e batalhas. No entanto e como sempre acontece, cada povo deixou sua marca, um pouco de sua história e de seus costumes. Com eles a Córsega conheceu o início de um desenvolvimento, mas também viveu eras de violência e destruição.
Os invasores trouxeram o vinho, o trigo, o mel, as oliveiras. Descobriram e exploraram os metais, criaram cidades, implantaram a escrita. Exportaram as riquezas da Ilha e foram a inspiração de sua bandeira¹ , o símbolo de sua “nação”. Despertaram no povo o eterno sentimento de luta e liberdade, que inegavelmente perdura até os dias de hoje.
A proximidade com a Itália e os anos sob domínio de Pisa e Gênova (1077 a 1768) deixaram a Córsega com características marcantes deste país. As construções, os costumes e principalmente o dialeto local² nos remetem imediatamente a uma daquelas antigas e charmosas cidades da Toscana.
Mas a história dos Italianos na Córsega não foi diferente da de seus antecessores. Assim como os demais invasores, os Italianos também se depararam com um povo corajoso e disposto a lutar por sua “pátria”, o que resultou, mais uma vez, em uma época conturbada e conflituosa.
O ingresso de Pisa na Córsega se deu por ordem da Igreja Católica. Em 1077, o Papa Gregório VII determinou que a Ilha passasse a ser administrada pelo Bispo de Pisa. Com uma administração realizada praticamente por Senhores Feudais, o que gerou conflitos com os senhores locais, Pisa foi a responsável pela maioria das belas igrejas, pontes e torres que fazem parte da paisagem da Córsega até hoje. Além disso, data desta época o início do desenvolvimento do dialeto corso, cheio de influencias latinas e toscanas.
Em 1284, entretanto, a Córsega foi invadida por Gênova. Os Genoveses dividiram a Ilha em províncias, transformaram Bastia na sede de sua administração, construíram estradas, desenvolveram a agricultura e passaram a importar para sua terra natal vinho, óleo de oliva e ostras produzidas na Córsega.
Ainda que tudo parecesse correr bem entre os dois povos, não se pode esquecer que a Córsega devia obediência e subordinação à Gênova. Foi quando em 1553, uma pequena tropa de soldados corsos, liderada pelo militar Sampiero Corso e apoiada pela França (na época despertando interesse pela região) e pela Turquia, desembarcou em uma praia próxima de Bastia disposta a liberar a Córsega do domínio Genovês. A tentativa foi um fracasso e a tropa de Sampiero foi massacrada pelo exército de Gênova. Sampeiro continuou sua luta até ser assassinado em 1567.
Liberdade, afinal e com muito orgulho
Após séculos de submissão, os Corsos, liderados pelo General Pasquale Paoli, insurgiram-se contra Gênova em uma batalha que ficou conhecida como a Guerra da Independência. Em 1755, os Corsos tomaram definitivamente o poder e durante 14 anos realizaram o sonho de viver em uma Córsega livre e independente.
Governada durante todo o período de independência por Paoli, líder da revolução e seguidor dos ideais democráticos defendidos por Rousseau, a Córsega ganhou sua primeira Constituição, definiu Corte como sua Capital, criou sua primeira Universidade e recebeu um novo porto mercantil.
Única e independente entre todas as ilhas mediterrâneas, a Córsega passou a despertar o interesse e a preocupação dos países vizinhos.
É assim então que, em 1768, a assinatura do Tratado de Versailles pôs fim ao secular desejo dos Corsos de criarem uma Nação. A Córsega foi vendida por Gênova à França, por 200.000 libras e em condições desprezíveis e, não obstante, o sentimento de revolta e o enorme esforço de seu exército, em 18 de maio 1769 a Córsega passou definitivamente a fazer parte do território Francês.

E como resistir?
Hoje, a Córsega é um dos destinos turísticos mais procurados na Costa Mediterrânea. Além do turismo, a Ilha se destaca pela fabricação e exportação de suas deliciosas iguarias gastronômicas, como queijos, vinhos, salames e biscoitos, pelos belos trabalhos de cutelaria (facas produzidas artesanalmente e que trazem o símbolo da região) e pelas exóticas jóias elaboradas a partir de Corais e das conchas “turbo”(símbolo da lenda dos olhos de Sainte Lucie³).
A Córsega tem diversas facetas. Agraciada por uma beleza selvagem e extraordinária, e palco de uma história emocionante, é definitivamente um daqueles lugares que não se pode deixar de descobrir, experimentar e se apaixonar!!!
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1 A bandeira da Córsega representa a imagem da cabeça de um Mouro. Segundo uma das lendas contadas ma Córsega, a bandeira faz referência a uma batalha entre Corsos e Mouros, na qual foi pedida a cabeça do chefe dos Mouros como forma de comemorar a vitória dos Corsos.
2 A língua oficial falada na Córsega é o Francês, mas até hoje tenta-se manter vivo o dialeto Corso, muito semelhante ao italiano falado na Toscana.
3 Segundo a lenda, a jovem Lucie, virgem e mártir de Siracusa, acompanhou sua mãe que sofria de uma doença grave, ao túmulo de Santa Águeda. Com a força de sua oração, ela recebeu a cura para sua mãe. Em gratidão, Lucie distribuiu seus bens a todos os pobres que encontrou, mas foi acusada de violar as leis do Cristianismo. Para provar sua fé, ela, então, arrancou os próprios olhos e os jogou no mar. A Virgem Maria, em retribuição à sua devoção, a devolveu os olhos ainda mais belos do que eram.
As conchas turbo, frequentemente encontradas nas praias da Córsega, por sua morfologia, ficaram conhecidas como “Os olhos de Sainte Lucie”.
Fonte: CULIOLI, Gabriel-Xavier. Petite Histoire Illustrée de la Corse, DCL éditions, 2008.





