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A Natureza e o terroir
As uvas carcaterísticas
O vinho e sua importância econômica
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A CHEGADA DO VINHO NA CÓRSEGA
A viticultura na Córsega data do século 6 a. C. com a chegada dos Fenícios e, posteriormente, dos Gregos. Seu efetivo desenvolvimento, no entanto, se deu por volta do século III a. C,. com a tomada do poder pelos Romanos, que se instalam em Alalia (hoje, Aléria), e utilizando-se de seus conhecimentos agronômicos, implementam a cultura do vinho na Ilha. Após a queda do império romano, sucessivos invasores se instalam na Córsega. A agricultura não mais comercial passou a servir tão somente para a subsistência do povo. As vinhas, apesar de abandonadas, mantiveram-se aguardando sua hora, principalmente em razão dos cuidados despendidos pelos monges locais, que produziam vinho para seu consumo pessoal. Sob a administração de Pisa até 1285, a viticultura Corsa recebeu grande apoio e incentivo da igreja romana, que a transformou novamente em uma fonte de comércio e renda para a Ilha. A sucessiva dominação genovesa, muito embora tumultuada, contribuiu e muito para o desenvolvimento da agricultura e da economia vitivinícola da região. A partir daí, a produção de vinho na Ilha passou a crescer e saltou de 150.000 hectolitros em 1788 para 310.000 em 1896.
APOGEU E CRISE
No começo do século XIX, apesar das dificuldades estruturais, a agricultura Corsa se tornou muito mais uma agricultura de mercado do que uma produção de subsistência. No entanto, a chegada das doenças Oídio e Filoxera, fizeram com que a Ilha tivesse de enfrenta uma crise de superprodução e desmoronamento de preços. Em 1900, 40% dos vinhedos haviam desaparecido, apenas 9. 200 hectares resistiram, o que equivalia à área de vinhedos do final do século XVIII. A reconstituição durou alguns anos e se fez em terras mais facilmente cultiváveis. Após a primeira guerra mundial, onde morreram mais de 10.000 Corsos, a produção vitícola local caiu para 40.000 hectolitros. Como alternativa para a crise que se instaurou, um centro vitícola foi criado para estudar a possibilidade de se elaborar vinhos fortificados ou licorosos (vins mutés - vinhos que têm sua fermentação alcoólica interrompida pela adição de álcool, ou seja, aguardente de vinho, a fim de se conservar o açúcar residual). A partir de então, os vinhos licorosos passaram a ser o grosso da exportação até a segunda guerra mundial. No início dos anos 60, um plano de ação regional definiu claramente os eixos de uma reconstrução econômica, em parte, baseada na agricultura. A chegada de 17.000 repatriados da Argélia, aliada ao equilíbrio financeiro e uma legislação favorável, gerou grandes esforços para a elaboração de uma “nova viticultura”. Os produtores passam a investir em técnicas vitícolas e enológicas de massa. Dez anos mais tarde, a viticultura Corsa foi relançada no mercado de uma maneira quase industrial. Foram plantados 14.000 hectares de uvas do Sul da França, de alto rendimento, em solo insular. A demanda evoluiu, mas os vinhos produzidos em larga escala e baixa qualidade começaram a perder consumidores e lugar de destaque no mercado. É o início de uma crise para a viticultura industrial Corsa. Com 32.000 hectares no meio dos anos 70, a Córsega perdeu dois terços de seu potencial de produção atingindo 10.000 hectares de plantação antes de 1990, chegando assim a um nível próximo ao que se tinha no começo do século XIX e pós Filloxera.
AVITICULTURA MODERNA E OS VINHOS QUE ENCANTAM O MUNDO
A chegada de uma nova geração, formada com novas práticas vitícolas e enológicas, bem como comerciais, permitiu novamente que se tivesse esperança. A crise vitícola dos anos 70 fez com que se iniciasse uma campanha de “desmatamento” dos vinhedos na Córsega, chegando-se a atingir os atuais 7.0000 hectares de plantação. Tal prática resultou na elaboração de vinhos de tipicidade e qualidade. Criado por um decreto lei datado de 1935, L´institut National des Appellations d´Origine (Instituto Nacional de Denominações de Origem) é o garantidor da qualidade e da origem dos vinhos, servindo como importante arma contra fraudulentas imitações. Os vinhos classificados dentro das regras de A.O.C. (appellation d´origine contrôlée - denominação de origem controlada) são elaborados sob uma área geográfica delimitada, com uvas autorizadas e regras de produção bastante rígidas (método de vinificação, data exata da colheita, rendimento máximo autorizado por videira, quantidade máxima de álcool natural produzido pela uva ....). Os vinhos elaborados sob tal classificação constituem a elite dos vinhos no mundo. Hoje em dia, na França, existem mais de 400 denominações de origem controlada destinadas à classificação dos vinhos e mais algumas dezenas que foram desenvolvidas para queijos e outros produtos alimentares como o Mel e o Óleo de Oliva. Atualmente,na Córsega, existem nove denominações de origem controlada para os vinhos: - 2 (duas) denominações “Cru”: A.O.C. Ajaccio e Patrimônio. - 5 (cinco) denominações do Tipo “Villages”: A.O.C. Vin de Corse ou Corse, seguidos dos nomes – Calvi, Sartène, Porto Vecchio, Figari, ou Coteaux du Cap Corse. - 1 (uma) denominação do Tipo “Regional”: A.O.C. Vin de Corse ou Corse. - 1 (uma) denominação para os vinhos doces: A.O.C. Muscat du Cap Corse. A delimitação de verdadeiros Terroirs, a escolha de uvas tradicionais da região e a modernização dos equipamentos de produção foram fatores essenciais para a evolução da viticultura na Córsega, considerada hoje absolutamente alinhada às produções do século XXI. A união de todos estes fatores fazem com que ano a ano os vinhos da Córsega se consagrem no mercado mundial como vinhos de qualidade, personalidade e sabor surpreendente!
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1 FIORAMONTI, Patrick: Vins de Corse, Collection bonheurs corses, DCL éditions, 2008 e Le vin Corse a tarra l’omini a passioni, édition Héloïse d’ Ormesson, 2007. Le Guide Hachette des Vins, 2008.
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